quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Farol de Santa Marta - 2015


Passei um tempo sem ir até o Farol. Grande parte da beleza visual ainda pode ser apreciada. Foi fácil perceber em 2015, as casas “de cinema” que chegaram com tudo, as cercas variadas e o trânsito em mão única. Não se pode mais cruzar o local por onde bem entender. Não sei o que aconteceu, mas não tem mais diversão noturna.  As pousadas se multiplicaram. A falta de saneamento adequado faz com que o solo não consiga absorver o excesso das fossas sépticas e o esgoto é drenado para a prainha. O cheiro do esgoto é insuportável. Mas, alguns menos avisados ainda usam a prainha.

A beleza do morro do céu resiste, apesar da falta de trilhas orientadas, obras de contensão de encostas e as motos que dão início à erosão. A praia do sul - Cardoso e a do norte - Galheta estão em condições. Galheta por ser deserta, oferece uma bela extensão para caminha de aproximadamente 4 Km. Ainda não sofreu ataque direto da especulação imobiliária. Ainda, por que existe um condomínio da Família Ronaldinho rondando esta praia. Também, existe um condomínio fechado no Cardoso, com torre e vigia e tudo mais.

Também, paira uma séria ameaça aos sítios arqueológicos do Farol chamados sambaquis. Os sambaquis são enormes depósitos à céu aberto, de restos de comida acumulados a milhares de anos, locais por vezes usados cemitério, alguns os chamam de concheiros ou casqueiros. Os restos apontam para uma população muito volumosa, que teria habitado toda aquela parte do litoral brasileiro.       


Quando nos anos 1.500 os primeiros navegadores chegaram até lá encontraram a tribo dos Carijós, um grupo bem numeroso. Porém, este grupo não se compara às estimativas populacionais feitas com base nos estudos dos sambaquis. Estes sítios pré-históricos, já foram usados para aterrar ruas, em concreto de construções e por vezes são estilhaçados por turistas e motos. Os sambaquis são pré-históricos. Em Laguna foram encontrados sambaquis com até 5 mil anos de idade. 
























quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Farol de Santa Marta – Anos 1990


No começo dos anos 1990, o Farol, era muito divertido. Mas, a coisa ainda era precária. As casas de alugar só tinham latrinas, poucas tinham chuveiro. O que levava grande parte dos turistas até casas de banho na prainha, que tinha chuveiro quente com água vinda de poços artesianos. As filas de banho eram verdadeiros eventos sociais, onde mais da metade das armações nunca se realizavam, hora de contar os sobreviventes pra próxima jornada, saber das novidades. Também, era hora da crueldade. Quando algum novato demorava no banho, caía a chave de luz e água esfriava. Seguia-se um grito ou gemido. A galera se finava, dando altas gargalhadas ou vaiava. Ninguém avisava o novato, só pra dar umas risadas e pegar no pé do vacilão.

A fama da noite no Farol durou mais alguns anos com os bares de sinuca, regae e rock.  Mas, o lugar foi enchendo, com esgoto a céu aberto, tudo mais caro e os primeiros cercados. Os surfistas caretearam... Continuava-se passando dia com mesma roupa, os acelerados encontros e desencontros noturnos persistiam.  Certa feita, ouvi duma paulista sua admiração pelo lugar. Segundo ela, ninguém ia ou curtia a praia de manhã, saiam para passeios à tarde e na noite parecia que todos se multiplicavam.  Entendi, mais ou menos.


“O que atraía e ainda atrai gente ao Farol é um visual selvagem, os rochedos, Morro do Céu e o Farol. O Farol reina soberano no alto do morro de dia e sobre tudo à noite, quando além de sua função principal, a de guiar os navegantes, cria uma atmosfera romântica no seu entorno, entrando pelas janelas, passando pelas casas, rochedos e morros.”

Vídeo de Verão 2015 no Farol de Santa Marta 

https://www.youtube.com/watch?v=anOrl9QgnkI

Dias atuais...
























terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Farol de Santa Marta 1987 – Verão da Lata



Com o aumento constante do surf, o ambiente começou a mudar.  Hordas de turistas invadiram Santa Catarina, as famílias de pescadores, aproveitando a ocasião alugavam suas casas para eles, indo parar nos barracos de pesca, ou iam para casebres piores dos que moravam. Nós, mochileiros, fomos facilmente esquecidos e os lugares para camping selvagem acabaram.

Daí, para surgirem os pequenos restaurantes, casinhas de aluguel foi um passo rápido. O Farol de Santa Marta deixava de ser uma terra esquecida. Os 16 km de terras arenosas mar à dentro, o Farol é um cabo de mar, já não eram capazes de isolar ou esconder aquele magistral cenário.
O Farol foi uma vila de pescadores com seus galinheiros, cabras soltas, chiqueiros e bois que invadiam a prainha, correndo o povo todo.  Resquícios deste passado não incomodavam os malucos que se aventuravam ir até lá em busca de Liberdade com um visual absolutamente impactante. 

Apareceram os bares, botecos muito loucos como o saudoso Sobrenatural e o bar do Baiano. A maioria das casas era bem simples, de madeira, sem pintura com pátios sem cercas. Podia-se andar livremente em qualquer direção. De qualquer ponto se avistava o mar azul e farol.

Em 1987 a maré no farol se agitou. O grupo dos surfistas, que estavam mais para escola australiana do surf, aquela conhecida pela curtição do surf, natureza e pelo cigarro do capeta, se misturou com os malucos notívagos. Os dois grupos conviviam bem, até por que se cruzavam pouco. Surfistas acordavam cedo para o surf, bem na hora que os notívagos iam pra cama.


Ocorre que naquele ano, no mês de setembro, um navio que vinha da Austrália, chamado de Solana Star, despejou no litoral do Rio de Janeiro, 22 toneladas de maconha enlatada, que boiaram por todos os cantos do litoral brasileiro. O produto, segundo usuários, era de altíssima qualidade. Os nativos que nunca não se incomodaram com as extravagâncias dos mochileiros, com a onda de surfistas e latas, viu o local borbulhar. Não se meteram com estas histórias, tolerando todas as excentricidades da galera. Naquele ano o verão durou seis meses.


Vídeo de Verão 2015 no Farol de Santa Marta 

https://www.youtube.com/watch?v=anOrl9QgnkI


Dias Atuais...


















POAemMovimento

POAemMovimento é coletivo de arte, dedicado a exercer a voz da cidadania, com o uso sem restrição, de toda e qualquer forma de expressão artística.

Advogado e Artista Plástico

Acesse minhas redes sociais: Facebook Youtube Instagram Twitter Breve novidades!

Seguidores

Visitantes