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terça-feira, 2 de março de 2010

MOVIMENTO EM DEFESA DA ORLA DO GUAÍBA NO FORUM SOCIAL MUNDIAL




O “Movimento em Defesa da Orla do Guaíba” é um movimento surgido durante as manifestações de repúdio ao Projeto Pontal do Estaleiro, que pretendia lotear o Pontal do Mello com construções habitacionais de luxo. Bem como, nos eventos contrários à construção de espigões junto ao Cais Mauá, com a conseqüente descaracterização deste conjunto arquitetônico histórico.
conjunto arquitetônico  secular ameaçado pela especulação imobiliária

O movimento é formado por representantes de entidades civis e cidadãos comuns, que passaram se encontrar periodicamente na câmara de vereadores para protestar contra o avanço da especulação imobiliária patrocinada pela indústria da construção civil e pelas bancadas de vereadores defensores do concreto em detrimento da boa qualidade de vida do cidadão porto-alegrense.
protestos na câmara marcam o surgimento do Movimento
(Assim como Kassab/São Paulo e Arruda/Brasília; nosso prefeito e as bancadas do concreto, em Porto Alegre, têm na indústria da construção civil sua grande fonte financiadora de campanhas eleitorais. E correspondem a este apoio monetário, aprovando projetos que beneficiam exclusivamente o empresariado e as classes privilegiadas. Inclusive podem ser vistos sendo orientandos por lobbystas no parlamento municipal, tendo em vista  o parco conhecimento técnico de alguns edis, que são mestres do oportunismo e apedeutas quando o assunto é a administração da cidade.)

Lobbysta instrui verador durante votação

Deste convívio democrático, surgiu o consenso de que o bem mais precioso da cidade de Porto alegre, o nosso Guaíba, padece de ameaças constantes pela ausência do Estado no trato das questões ambientais e pela especulação imobiliária que quer privatizar bens notoriamente de uso comum, no caso em questão a orla do Guaíba.

Também, firmou-se a idéia de que não bastavam apenas protestos. E que diante da incompetência da grande parcela da nossa vereança nos assuntos ambientais era preciso dar um passo adiante, apresentando uma proposta urbanística concreta e viável para orla do nosso amado Guaíba.

A partir do convite da artista plástica, Zorávia Bettiol, um grupo de cidadãos porto-alegrenses passou a se reunir com a finalidade específica de discutir os temas ligados à orla. E coletivamente elaborar um “Projeto Urbanístico para Orla do Guaíba”. Um trabalho inédito feito por cidadãos para cidadãos. Uma alternativa ecologicamente correta, tendo em vista a inépcia e o comprometimento dos políticos e gestores públicos com seus financiadores de campanha, os empresários da construção civil.
as reuniões do movimento acontecem no Instituto dos Arquitetos do Brasil

Um projeto urbanístico para a orla do Guaíba não é uma tarefa fácil. É um trabalho multidisciplinar complexo e detalhista. O que segue abaixo são alguns apontamentos colhidos durante as reuniões preliminares do Movimento de defesa da Orla do Guaíba.

Relativo à área do Pontal do Estaleiro chegaram notícias de que o pagamento do preço de arremate em leilão está incompleto. Com relação à política urbana em Porto Alegre, foi dito que as atitudes do poder público extrapolam os limites da decência. E que por trás de um discurso pseudo-desenvolvimentista, lideranças políticas e empresariais cometem verdadeiras atrocidades contra a cidade, aponto de torná-la inviável sob o ponto de vista da mobilidade urbana, da qualidade do ar e águas do Guaíba. Uma espécie de vale tudo urbanístico no qual o lucro fácil e especulativo está acima das necessidades e do direito do cidadão ao ambiente ecologicamente qualificado.

Justino Chaplin esteve presente nas votações do Plano Diretor

Sem justificativas técnicas consistentes nosso parlamento municipal vem aprovando leis que andam na contramão da historia atual, que clama por atitudes efetivas em favor do meio ambiente para diminuição do aquecimento global. Leis dirigidas e orientadas pelo poder econômico para satisfação exclusiva de suas necessidades.


A elaboração de um plano urbanístico só pode ser feito sob uma plataforma técnica multidisciplinar. Ou seja, requer um grupo de profissionais nas mais variadas áreas do saber. O grupo já conta com a colaboração de profissionais renomados, tais como: arquitetos, biólogos, advogados e ambientalistas. Mas, isso não é a garantia para o sucesso da empreitada. Um trabalho desta monta envolve custos elevados e tempo disponível por parte dos profissionais envolvidos. Além disso, um projeto urbanístico para orla do Guaíba, não pode se restringir às margens circunscritas ao Município de Porto Alegre. Deve abranger toda extensão de margens e afluentes tributários do Guaíba.

Durante as discussões sobre o projeto urbanístico, foi sugerido por Zorávia Bettiol, a criação de um Museu das Águas, no prédio de um antigo frigorífico localizado no Cais do Porto Mauá. Um museu interativo, que desenvolva o tema da “água” nas suas diversas nuances e que se não restrinja somente aos aspectos físico-químicos da água. Tendo a água como fundo, o museu deverá discorrer temas como a importância histórica e influência do rio na formação da cidade, construção da sociedade, economia, artes e cultura regional.


Movimento em Defesa da Orla- Forum Social Mundial

O PAM - Porto Alegre em Movimento associou-se ao Movimento em Defesa da Orla do Guaíba, por que acredita que somente com a União da Sociedade poderemos combater os abusos dos políticos, coibir a privatização de bens de uso comum tutelados pela constituição e restaurar, sempre que possível, os ecossistemas degradados.

O Guaíba vale Ouro

2 comentários:

  1. Bom dia, Leonel.
    Sou advogada e mestranda em Memória Social e Bens Culturais pela Unilasalle. Achei o blog em busca sobre preservação e importância do rio Guaíba, pois estou fazendo um trabalho acerca do tema. SE tiveres maiores informaçoes para me passar -e todas serão devidamente creditadas ao movimento ou às respectivas fontes - favor entrar em contato.

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  2. Prezado Leonel,
    Temos que nos mobilizar contra a duplicação da Av. Edvaldo Pereira Paiva (Beira Rio) dentro do parque Marinha do Brasil, que retira uma área de lazer e coloca em risco as pessoas que passeiam na região. A pista de ciclismo ficou isolada. Essa duplicação também causará problemas de trânsito na Av. Aureliano de Figueiredo Pinto em frente ao Ministério Público Estadual, pois a nova ponte sobre o Arroio Dilúvio vai em direção desta avenida, beneficiando assim o empreendimento privado Trend City Center da Maiojama. O prédio do Foro Central já foi evacuado devido a trepidações geradas pela duplicação. O Tribunal de Contas suspendeu a compra de brita superfaturada. Não há no local placa com o desenho do projeto. Quando os carros circularem na nova pista, haverá riscos de acidentes graves para quem for atravessar e para quem fica próximo do meio-fio. Já conversei com jovens no parque Marinha do Brasil e estão todos revoltados. Há casos de skates voando na avenida devido à proximidade. Lembro que algo parecido ocorreu nas olimpíadas em Sidney, na Austrália. Queriam abrir uma grande avenida através do parque local. A comunidade se mobilizou e a estrada foi construída sobre o parque em forma de elevada. Não somos contra o desenvolvimento da cidade, pois a duplicação pode ser realizada ao lado da atual pista, junto ao Lago Guaíba, seguindo o traçado em direção da rotatória das Cuias e Gasômetro. A pista já construída poderá ficar para esportes como o ciclismo e skate (modalidade street). Se a ponte sair (está em processo licitatório), aí sim a causa estará perdida. Criei uma comunidade no Orkut chamada Salve o Parque Marinha para mobilizar as pessoas, mas a inércia é grande. Por favor, repasse a informação para os defensores da orla do Guaíba.
    Cordialmente,

    Dr. Eduardo Antunes Dias

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