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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Quem (?) & Enfrentam os Poderosos parte 18


É com muito pesar que publicamos: A ÚLTIMA ENTREVISTA DA “MORTE DE PLÁSTICO”
Tristeza na despedida

Depois da consulta popular e de ter estrelado no vídeo “Não ao Pontal”, do Fórum de Entidades, dirigido por Carlos Gerbase, procuramos a “Morte” para pedir algumas palavrinhas sobre a esmagadora vitória do “NÃO” ao Pontal do Estaleiro. Ela com o bom humor que lhe é peculiar falou sobre o assunto, deitou falação e anunciou a sua despedida de Porto Alegre.

Então, “Morte”, e a vitória do “Não”?
Muuuuito bem, Quem (?)... Minha intuição dizia que o “não” iria ganhar de lavada.


Como assim?
Tenho a idade do tempo. Grande parte da vitória se de deve a mobilização da sociedade organizada. A outra parte a não obrigatoriedade do voto. Posso dizer com tranquilidade que se o voto não fosse obrigatório no Brasil, votariam apenas as pessoas realmente interessadas nas mudanças que o país há tanto tempo espera. Valendo esta regra, dificilmente você não teria o desprazer de ver em Brasília o Sarney, Collor, Calheiros... Ou mesmo um sapo barbudo vira-casacas e sua malfadada trupe na Presidência da República.
Nooossaaaa, já pensou em se candidatar para algum cargo?
Claro que não. Sou cidadã do mundo.

“Morte”, qual o seu real papel na Vida?

Como já disse em outra oportunidade, trabalho pro cara lá de cima... Eu faço apenas o passamento na hora e local indicado por ele. Se o cara é bom mando pra cima; se ruim mando pra baixo. Sou o efeito, não a causa. A causa se dá em vida e a vida é outro departamento. Eu não costumo me meter nos assuntos dos outros, meu caro Quem(?).

Ã... Hamnn! Mudando de assunto... “Morte” fale sobre Porto Alegre na sua vida?
Hehehehe! Adoro seu senso de humor Quem (?). Como dizem por aqui, foi muito tri passar mais tempo que de costume nesta cidade. Desde que o mundo é mundo vou a todos os lugares, mas pelo acúmulo de serviço mal dá pra reparar na paisagem. Andei por esta cidade e curti as pessoas, os parques e o Rio Guaíba. Também acho que o Guaíba é um rio. hehehehehe! Hoje em dia se me perguntarem se gosto mais de Paris, Londres ou Nova York, respondo: - Eu gosto é de Porto Alegre.

O que vossuncê achou dos porto-alegrenses?
É uma gente simpática, acolhedora e verdadeiramente democrática. Não sofri qualquer discriminação. Às vezes alguém se assustava comigo. Com certeza estes devem alguma coisa pro cara lá de cima e acharam que por isso era a hora de me encontrar. Para eles digo que sempre há tempo para mudar de atitude. O chefe leva isso em conta.

Em outras ocasiões, achavam que eu era de alguma religião e me tratavam com desdém, como infiel ou coisa do demônio; para estes digo que religião também é uma forma de se apossar do nome de Deus para fins espúrios. De nada vale uma bela oração sem pureza de intenção. Está escrito: “O simples presta atenção a cada palavra, mas o prudente a cada passo.”

O porto-alegrense é um povo educado. Muitos quiseram saber sobre a minha estada na cidade. Então, contava que havia recebido convite para ajudar na destruição do Rio Guaíba, defendendo o Pontal. Que roubaram minha comissão no negócio. E que por isso havia trocado de lado na questão do Pontal. Então, complementava dizendo que tinha lucrado com o a troca. E que isto se transformara na melhor coisa que poderia ter acotecido na minha vida... (hehehehehe! Ops! Olha aí, Quem (?)... Já estou me apropriando das suas piadas!) Acabei descobrindo um excelente lugar para morar quando me aposentar; se o mundo não acabar. Por que do jeito que vai, num sei não...

Nas minhas primeiras aparições empunhava um cartaz que dizia que o Guaíba era meu. Algumas pessoas se aproximavam e docemente me diziam que não. Até então, jamais tinha recebido tratamento tão respeitoso. Sempre me viam como figura do mal. Coisa que não sou. Eu apenas termino um ciclo de vida para o começo de outro.

Falando nisso... A pergunta que não quer calar... Existe vida após a morte, “Morte”?
Você é muito inteligente Quem (?), mas não vai me enrolar. Infelizmente não tenho autorização da chefia para responder esta pergunta. Mas, posso afirmar que há mais mistérios entre o céu e a terra do que julga a vossa vã filosofia.


Que recordações você levará da cidade?
Dos passeios que eu fiz, das conversas com os porto-alegrenses, do belíssimo por do sol, das pessoas nas ruas nos domingos à tarde e do contato com as crianças. São tantas emoções... E olha, que emoção pra mim é novidade. Também, sei que se descobri a alegria, na certa toparei com a tristeza... Quando penso na despedida sinto um aperto no coração. Nem sabia que tinha um coração. Me disseram que aperto no coração é prenúncio de tristeza.

Quando deixará a cidade?
Tudo tem a sua hora. (hehehehehehe! É o que mais ouço quando venho buscar alguém) Acho que a minha hora está chegando. Não vou morrer por que a “Morte” não morre. Vou apenas partir para voltar a me dedicar a minha profissão.

Depois... Se não voltar ao trabalho corro o risco de perde-lo pro meu irmão, o Cavaleiro da Peste. Deixei-o cuidando do serviço. Ele tratou de inventar o tal H1N1, só pra fazer hora extra. Se deixar o barco correr ele vai acabar me derrubando do cavalo e levando meu emprego.

Pra arrematar, fale sobre sua participação na campanha do “Não ao Pontal”.
Não quero me gabar, mas estou acostumada a ser o centro das atenções. Se eu entro numa briga é pra matar a questão (-no bom sentido! hehehehe...). Minhas aparições sempre causaram grandes efeitos. Tive uma delirante noite de rock com Damn Laser Vampires. Foi tão bom que assisti a um show deles no dia mundial do rock na estação Farrapos do Trensurb. Sambei no Bric da Redenção. Distribui panfletos em eventos culturais. Mas, o que deu mais orgulho foi ter participado do vídeo “Não ao Pontal” do Fórum de Entidades. Me senti como uma verdadeira estrela de cinema sob a batuta do Carlos Gerbase. Fui tratada como uma celebridade. Acho até que entrei para a história da cidade.



Como pretende passar seus últimos momentos na cidade?
Andando por aí. Vou dar uma passadinha na Praça da Matriz, na Orla do rio e no Parque da Redenção. Por último irei até a ponte do Guaíba para me despedir da cidade. Do alto da ponte jogarei uma rosa vermelha no Rio Guaíba para simbolizar a minha eterna paixão pela mui querida & amada cidade de Porto Alegre.


Com estas singelas palavras “Morte de Plástico” encerrou a entrevista. Estava visivelmente emocionada. Ela tentou disfarçar, mas uma lágrima correu por debaixo do óculos. Confesso que fiquei tocado pela declaração de amor à cidade. Constrangido com este fato acabei desistindo de lhe fazer mais perguntas.

ASSISTA A EMOCIANTE DESPEDIDA DA “MORTE DE PLÁSTICO” acessando o link :





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